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Diogo Schelp

Diogo Schelp

Aumento da idade mínima na Rússia derrubou popularidade de Putin

Diogo Schelp

2018-06-20T19:15:54

18/06/2019 15h54

Vladimir Putin

O presidente russo Vladimir Putin (Alexei Druzhinin/EFE/EPA/)

O aumento da idade mínima para aposentadoria é uma tendência mundial. Um levantamento com 36 dos países mais ricos do mundo feito pelo governo da Finlândia mostra que catorze deles estão adotando ou já adotaram a idade mínima de 67 anos ou mais, sem diferenças entre homens ou mulheres. Pelo menos onze países pretendem atrelar a elevação da idade para se aposentar ao aumento da expectativa de vida da população. A necessidade de rever as regras é justamente esta, em toda parte: as pessoas estão vivendo mais e tendo menos filhos.

Evidentemente, há um alto custo político para realizar essas mudanças, que enfrentam resistência por parte da população, principalmente por quem já está no mercado de trabalho e que terá que trabalhar por mais tempo do que planejava. O Brasil, onde seis em cada dez pessoas concordam com a definição de uma idade mínima para aposentadoria de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens), é um caso interessante de resignação dos cidadãos diante de uma nova regra que pode prejudicá-los individualmente. Ainda assim, dificilmente o governo de Jair Bolsonaro vai superar o processo da reforma da Previdência sem desgaste político.

A Rússia oferece um bom exemplo do quanto a alteração nas regras de aposentadoria é capaz de dilapidar o capital político de um governante. A idade mínima para aposentadoria no país era a mesma desde os tempos do líder soviético Josef Stalin: 60 anos para homens e 55 anos para mulheres. Em setembro de 2018, o presidente Vladimir Putin sancionou a lei elevando as idades para 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, a partir deste ano.

Desde então, as pesquisas de opinião indicaram uma queda abrupta no nível de confiança da população em Putin: o índice era de 55% antes da sua reeleição, em março de 2018, e caiu para menos de 32% no mês passado.

Já a aprovação do governo Putin (que é diferente do grau de confiança) caiu para 65%. A proporção ainda é alta, mas empalidece diante dos 90% de popularidade que o homem-forte da Rússia chegou a ter em seu auge.

Putin ainda tem mandato garantido até 2024, o que explica porque ele teve pressa em aprovar a sua reforma previdenciária logo depois de ser reeleito. Ele tem muito tempo pela frente para recuperar a confiança popular.

 

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.