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Diogo Schelp

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Com novo dado, Brasil cai apenas uma posição no ranking de violência

Diogo Schelp

10/09/2019 11h50

(Imagem: Getty Images/BBC Brasil)

A queda de 10,8% na taxa de mortes violentas, de 30,8 para 27,5 por 100.000 habitantes, entre 2017 e 2018, é uma ótima notícia. Mas, como atestam os especialistas em segurança pública, ainda há um longo caminho a percorrer. O novo dado pode fazer o Brasil cair apenas uma posição no ranking mundial de países mais violentos, segundo dados mais recentes do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Os dados do relatório da UNODC são de 2010 e 2017 e se referem a taxa de homicídios. Há uma pequena diferença estatística entre o dado de mortes violentas intencionais (soma de homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) e a taxa de homicídios pura, mas a redução na primeira reflete-se na segunda de maneira proporcional.

Se na próxima compilação mundial os patamares dos outros países se mantiverem estáveis, sem grandes quedas ou altas nos índices, o Brasil continuará em posição pior do que países como Colômbia (24,9 homicídios por 100.000 habitantes), Dominica (25,7), Guatemala (26,1) e México (24,8), todas nações que são origem ou ponto de passagem do tráfico de drogas para os Estados Unidos.

O Brasil deixaria para trás apenas Santa Lúcia, uma ilha do Caribe, assumindo a 12ª posição entre os países mais violentos do mundo.

RANKING DOS PAÍSES COM AS MAIORES TAXAS DE HOMICÍDIO

(por 100.000 habitantes em 2017)

El Salvador

61,8

Jamaica

57

Ilhas Virgens

52,8*

Venezuela

45,1*

Honduras

41,7

São Cristóvão e Névis

40,8*

Belize

37,9

Lesoto

37,4*

África do Sul

35,9

10º Trinidade e Tobago

35,6*

11º Santa Lúcia

29,6

12º Brasil

27,5** (antes era 30,5)

(*2010, dado mais recente; ** 2018, mortes violentas intencionais)

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.