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Conselho de Direitos Humanos com Venezuela e Brasil não deveria surpreender

Diogo Schelp

17/10/2019 17h31

ONU

O Conselho de Direitos Humanos da ONU (Foto: Divulgação)

A Venezuela e o Brasil foram eleitos para as duas vagas reservadas para a América Latina no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quinta-feira (17). O Brasil é um habitué da entidade, tendo sido reeleito diversas vezes desde 2006. Este ano, o país disputava a reeleição com a Venezuela e a Costa Rica, que se candidatou de última hora para tentar solapar uma das vagas das mãos do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A manobra fracassou.

Ter a Venezuela, país cujo regime viola sistematicamente os direitos humanos, no Conselho de Direitos Humanos é uma grande surpresa? Nem um pouco.

Basta olhar para os outros países que estão deixando o Conselho e os que estão entrando.

Saem, entre outros, Egito, Ruanda, China, Cuba e Arábia Saudita — todos países governados por ditaduras.

Entram a Líbia, país que vive uma guerra civil entre dois governos paralelos, e a Namíbia, com seu arremedo de democracia.

A boa notícia fica por conta da entrada do Sudão, país que viveu uma ditadura islâmica brutal e genocida até este ano, quando foi derrubada após intensos protestos populares. O Sudão ainda precisa percorrer um longo e duro caminho até poder ser chamado de democracia, mas ao menos está nos passos iniciais da transição que, segundo acordo feito entre o governo militar interino e os movimentos de oposição, deve durar três anos.

Além disso, a lista de governos autoritários que permanecem no Conselho inclui Angola, República Democrática do Congo e Catar, entre outros.

Pertencer ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nunca foi um atestado de respeito aos direitos humanos.

 

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.