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Em 2015, China prometeu US$ 50 bi que nunca foram investidos

Diogo Schelp

29/10/2019 18h11

Bolsonaro

Bolsonaro encontra-se com o príncipe Mohammed bin Salman (Foto: José Dias/PR)

De Riade*

O anúncio tem potencial para ser a maior conquista da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos países árabes: um acordo para que o fundo soberano saudita invista 10 bilhões de dólares em projetos no Brasil. Apesar disso, quem deu a boa notícia aos jornalistas reunidos na porta do Hotel Intercontinental, em Riade, na Arábia Saudita, nesta terça-feira (29), não foi Bolsonaro, mas os ministros Onyx Lorenzoni e Ernesto Araújo.

A rigor, ainda não foi assinado nenhum contrato. O que houve foi uma declaração conjunta afirmando o interesse do Fundo de Investimento Público (FIP) de "explorar potenciais oportunidades de investimentos" no Brasil. São promessas boas, mas promessas. Enquanto não houver contrato assinado, obviamente não há dinheiro.

Faz sentido conter o entusiasmo diante de anúncios assim. O passado não muito distante guarda algumas frustrações nascidas de promessas similares.

Em 2015, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff recebeu no Palácio do Planalto, em Brasília, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang. Ao final, anunciou com grande fanfarra um acordo para receber 50 bilhões de dólares em investimentos em infraestrutura no Brasil, via bancos de fomento chineses, principalmente para a construção de uma ferrovia que conectaria os oceanos Atlântico e o Pacífico. A promessa nunca saiu do papel.

 

* O jornalista viajou a convite do governo da Arábia Saudita.

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.