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Belandria diz que general venezuelano e petistas feriram aliados de Guaidó

Diogo Schelp

13/11/2019 17h39

Maria Teresa Belandria

A embaixadora Maria Teresa Belandria em vídeo divulgado nesta quarta-feira, 13 (Imagem: Twitter/Reprodução)

A venezuelana María Teresa Belandria Expósito, reconhecida pelo Itamaraty como embaixadora da Venezuela no país, divulgou um vídeo nesta tarde de quarta-feira (13) em que diz que o general de divisão Manuel António Barroso, adido militar do regime de Nicolás Maduro no Brasil, e militantes do PT entraram na embaixada venezuelana em Brasília de forma violenta depois que, segundo ela, a representação lhe foi entregue nesta manhã. 

"Às 4 horas da manhã dois funcionários de carreira, cuja carreira diplomática respeitamos, para nos dizer que reconheciam ao presidente Juan Guaidó como legítimo representante da Venezuela e para entregar de maneira voluntária e pacífica a sede da embaixada", diz Belandria no vídeo.

"Conseguimos entrar com eles, que abriram a porta, e quando estávamos realizando um inventário sobre o estado em que estava a embaixada, notificamos o chanceler Ernesto Araújo, ao diretor para as Américas, Pedro Miguel Costa, e também a Polícia Militar, que é quem guarda as embaixadas", continuou a embaixadora.

Ela continua dizendo: "A situação estava transcorrendo de maneira absolutamente pacífica até que, entre 6h30 e 7h da manhã, o chefe dos agregados militares, o general de divisão Manuel António Barroso, que foi presidente do CADIVI, entrou de maneira violenta na sede acompanhado de cidadãos de outras nacionalidades e de membros militantes do PT. A situação se tornou muito complicada, porque entraram com violência, temos duas pessoas feridas, sem gravidade. Temos o reforço da Polícia Militar e neste momento estamos em um processo de esperar as instruções da chancelaria do Brasil, com a qual vamos cumprir ao pé da letra."

CADIVI (Comisión de Administración de Divisas, na sigla em espanhol) é o órgão do governo venezuelano que controla o câmbio e que foi usado permitir a compra de dólares a valores preferenciais a pessoas e empresas ligadas ao chavismo, numa esquema de corrupção que drenou milhões de dólares das reservas venezuelanas.

Assiste ao vídeo na íntegra:

 

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.