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Pesquisador confirma que navio suspeito por vazamento de óleo é Voyager I

Diogo Schelp

21/11/2019 12h00

Voyager I

O Voyager I, apontado pelo pesquisador Humberto Barbosa, da Ufal, como suspeito de ter provocado o vazamento de óleo no Nordeste (Imagem: Marine Traffic/Reprodução)

O pesquisador Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), confirmou na manhã desta quinta-feira (21), em audiência no Senado, que sua investigação a respeito da origem do vazamento de óleo no litoral nordestino aponta como principal suspeito o navio-tanque Voyager I.

A embarcação tem bandeira das Ilhas Marshall e está registrada em nome da empresa Gulf Marine Management Deutschland, ou GMM(D), empresa com sede em Hamburgo, na Alemanha.

O nome do navio foi antecipado por este blog na segunda-feira (18).

A audiência no Senado conta também com a participação de Leonardo Barros, diretor executivo da Hex Tecnologias Geoespaciais, e de Alberto Wisniewski, pesquisador da Universidade Federal de Sergipe.

A Hex é uma empresa de monitoramento de imagens de satélite com escritório em Brasília, cujas análises serviram de base para a Polícia Federal e a Marinha apontarem outro navio como suspeito do vazamento — o Bouboulina, de bandeira grega.

Em sua apresentação, Barros defendeu os critérios que levaram sua empresa a descobrir uma mancha de óleo a 700 quilômetros do litoral brasileiro entre os dias 28 e 29 de julho.

Os resultados das investigações de Barbosa e da equipe de Barros se contradizem entre si. Barbosa disse que o Bouboulina não pode ser suspeito de vazar o óleo. Barros, por sua vez, disse que a mancha encontrada por Barbosa nas imagens de satélite não é a mancha original do vazamento.

Já Wisniewski foi o responsável por analisar o óleo encontrado dentro de toneis descobertos no litoral sergipano, e que procurou verificar a relação entre esse material com o petróleo das manchas que estão poluindo o litoral.

Em sua apresentação no Senado, Wisniewski reafirmou que o óleo dos tambores é o mesmo das manchas que se espalharam pelas praias brasileiras. 

"Quando a gente usa uma análise mais específica", disse o pesquisador,  percebe-se que o óleo da praia e o óleo do tambor "possuem exatamente as mesmas moléculas, os mesmos biomarcadores, e nas mesmas intensidades". Ele continua dizendo que, portanto, o óleo dos tambores "tem parentesco com o que está na praia". Ou seja, "o evento que liberou aquele óleo que chegou à costa foi o mesmo evento em que os tambores vieram acometer o litoral".

Com sua apresentação, o pesquisador confirmou uma informação revelada com exclusividade por este blog no dia 12 de outubro.

O mistério sobre a origem do óleo que está poluindo o litoral nordestino, portanto, ainda não foi solucionado, pois há investigações apontando em direções diferentes. Mas, como em qualquer investigação, todas as hipóteses devem ser analisadas em profundidade antes de serem descartadas.

* * *

Atualização: No dia seguinte à audiência no Senado, a empresa Sanibel Shiptrade apresentou-se como atual proprietária do Voyager I e afirmou, em nota, possuir "evidências independentes de que o navio-tanque Voyager I esteve no Terminal de Petróleo Vadinar em Gujarate, na Índia, entre 20 de junho de 2019 e 21 de agosto do mesmo ano, data em que deixou o local com destino a Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A localização da embarcação é confirmada por imagens de satélite, documentação do porto e declarações de agentes locais."

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.