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E o Oscar vai para... a esquerda brasileira?

Diogo Schelp

13/01/2020 12h36

Oscar

Estatuetas do Oscar (Foto: Emmanuel Dunand/AFP)

O filme "Democracia em Vertigem", de Petra Costa, foi anunciado nesta segunda-feira (13) como um dos concorrentes ao Oscar 2020 de Melhor Documentário. O filme retrata o contexto político que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, à prisão de Lula e à eleição de Jair Bolsonaro à presidência.

É um olhar de esquerda sobre esses acontecimentos, que tenta defender a tese de um golpe das elites para afastar o PT do poder. E a maneira como Bolsonaro é apresentado não é nada lisonjeira.

O presidente e seus apoiadores vão poder dizer que Hollywood é um antro de esquerdistas apoiadores de Greta Thunberg e que o filme só foi indicado para provocá-lo por ele ser aliado do presidente americano Donald Trump e por ter acusado o ator Leonardo DiCaprio de botar fogo na Amazônia.

Enfim, a indicação de "Democracia em Vertigem" vai ser usada pelas hostes bolsonaristas para reforçar ainda mais a polarização política e desviar a atenção de temas realmente importantes.

Já os militantes de esquerda que acreditam na teoria de que Dilma Rousseff foi vítima de um golpe parlamentar vão ficar exultantes, se esquecerão que já gritaram "volta Temer" no final de 2018 e dirão que a indicação é uma prova de que eles estavam certos — e pensar que acusam a direita bolsonarista de complexo de vira-latas.

Teóricos do golpe e bolsonaristas já podem ir preparando suas hashtags para inundar as redes sociais no dia 9 de fevereiro, quando ocorre a cerimônia do Oscar.

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Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.