PUBLICIDADE
Topo

Evacuação e quarentena de brasileiros são similares a plano adotado nos EUA

Diogo Schelp

05/02/2020 16h05

Coronavírus

Cidadãos americanos evacuados da China chegam desembarcam na Califórnia para iniciar período de quarentena em base militar no último dia 29, 2020 (Foto: Mike Blake/Reuters)

O plano elaborado pelo governo federal para evacuar e, posteriormente, manter em quarentena os brasileiros que se encontram na cidade de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus, na China, é semelhante ao que está sendo adotado nos Estados Unidos.

Dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) decolaram nesta quarta-feira (5) para buscar três dezenas de brasileiros que estão na região chinesa sem poder sair de casa. Eles vão ser levados a uma base militar em Anápolis, no estado de Goiás, onde serão submetidos a uma quarentena de 18 dias para garantir que não contraíram a doença e, assim, evitar que possam transmiti-la a outras pessoas.

Durante esse período, os resgatados passarão por exames médicos frequentes e não poderão receber visitas.

Um esquema semelhante já está sendo adotado nos Estados Unidos desde a semana passada, quando o primeiro voo fretado pelo Departamento de Estado evacuou 195 cidadãos americanos que estavam em Wuhan. Todos foram levados a uma base militar na Califórnia. De início, foram informados que seriam submetidos a exames médicos durante 72 horas. Depois, as autoridades decidiram que teriam que ficar no local por 14 dias.

Nesta quarta-feira (5), dois novos voos organizados pelo governo americano chegaram à Califórnia com pessoas trazidas da província chinesa com maior risco de contaminação pelo coronavírus. Elas ficarão na mesma base militar onde os integrantes do primeiro voo já estão em quarentena.

A decisão de fazer a quarentena em uma instalação militar se explica não apenas pela necessidade de ter uma infraestrutura médica e de alojamentos razoável, mas também por questões de segurança: as pessoas em quarentena não podem sair nem receber visitas.

Os primeiros relatos de dentro da base militar nos Estados Unidos dão uma ideia do que os brasileiros evacuados vão enfrentar em Anápolis: pessoas de diferentes partes do país que não se conhecem confinadas e obrigadas a conviver em um local onde não há muito o que fazer. Além disso, elas enfrentam, desde o momento em que entram no avião e até o fim do confinamento, a tensão de não saber se entre as outras pessoas evacuadas há alguém contaminado pelo coronavírus.

Nesta terça-feira (4), uma das crianças em quarentena nos Estados Unidos apresentou sintomas suspeitos e foi levada para a enfermaria, para ficar em observação.

A tensão e a espera deixam alguns dos resgatados impacientes. Na semana passada, poucas horas após a chegada do primeiro voo de evacuação vindo de Wuhan, um dos passageiros foi detido ao tentar fugir da base militar californiana. A polícia local emitiu uma ordem de quarentena e ele foi levado de volta à instalação.

A quarentena não deixa de ser uma espécie de prisão — para o bem de todos.

Siga-me no Twitter (@DiogoSchelp) e no Facebook (@ds.diogoschelp)

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.

Diogo Schelp