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Na Noruega, jovens já são 32% dos internados em UTI com coronavírus

Diogo Schelp

20/03/2020 12h59

Noruega

Agente de saúde faz teste de coronavírus em motorista em Sandvika, na Noruega, no dia 2 de março (Foto: Terje Bendiksby/NTB Scanpix via REUTERS)

Pacientes com menos de 50 anos de idade representam 32% dos infectados com coronavírus que foram colocados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na Noruega, segundo o jornal norueguês VG, o maior do país.

O dado coloca à prova a ideia de que a doença afeta com gravidade apenas pessoas idosas. Essa percepção ocorria pois, de acordo com os números iniciais, os mais jovens realmente se provavam mais resistentes ao vírus. Adultos não idosos, jovens e crianças, portanto, também podem manifestar sintomas graves.

Segundo um relatório da Associação de Anestesia da Noruega sobre a epidemia, ao qual o jornal teve acesso, dos 34 pacientes com coronavírus admitidos em UTIs na terça-feira (17), dois tinham entre 0 e 24 anos, nove entre 25 e 49 anos, dezoito entre 50 e 75 anos e cinco acima de 75 anos de idade.

No total, a Noruega já confirmou 1.848 casos de coronavírus e sete mortos até a sexta-feira (20). A Noruega é um país com população pequena (5 milhões de pessoas), com um perfil mais jovem do que a Itália e com um sistema de saúde de ponta, com baixa subnotificação (para efeito de comparação, no Brasil há um caso confirmado para cada 350.000 habitantes; na Noruega há um para cada 2.800 habitantes).

A comparação com a Itália é esclarecedora. No último fim de semana, havia na Itália cerca de 1.500 pacientes com coronavírus em UTIs. A idade média desses pacientes era de 69 anos e não havia nenhum com menos de 18 anos. Parte da explicação reside no fato de que, por falta de leitos, os hospitais italianos tiveram que optar num primeiro momento por casos mais graves em detrimento de outros que também poderiam precisar desse tipo de atendimento.

A tendência é que, conforme a pandemia vai se alastrando, mais e mais jovens com sintomas graves da doença recorram à hospitalização.

Os números divulgados nesta quinta-feira (19) pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, do governo americano, confirmam a tendência apontada de maneira mais aguda pela Noruega. Dos primeiros 2.500 casos de coronavírus nos Estados Unidos, 32% tinham entre 0 e 44 anos e, destes, 4% foram parar numa UTI.

Ainda não há informações consolidadas sobre a existência de doenças preexistentes nos jovens que precisaram receber tratamento intensivo nos Estados Unidos e na Noruega.

Continua sendo verdadeira a informação de que os idosos e as pessoas com outros fatores de risco são os que apresentam os sintomas mais severos do coronavírus, mas os novos dados apontam para uma situação preocupante: se os jovens não começarem a adotar medidas para evitar o contágio, logo estarão disputando leitos de hospital com os mais velhos.

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Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.

Diogo Schelp