PUBLICIDADE
Topo

Suspeita de que míssil russo derrubou avião no Irã lembra episódio de 2014

Diogo Schelp

09/01/2020 16h50

MH17

Integrante de milícia ucraniana observa destroços do avião do vôo MH17 (Foto: Maxim Zmeyev)

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (9) pela imprensa americana, oficiais dos Estados Unidos e do Iraque afirmam que o Boeing 737 da Ukraine International Airlines que caiu no Irã horas depois de um ataque do país a bases militares no Iraque pode ter sido derrubado por engano por mísseis antiaéreos iranianos, que estavam de prontidão para uma eventual retaliação americana.

O presidente americano Donald Trump também afirmou vagamente que a queda do avião, que resultou na morte de 176 pessoas, em sua maioria cidadãos canadenses, pode ter sido "um erro", não um acidente.

Acredita-se que o voo PS752 da companhia ucraniana tenha sido derrubado pelo sistema antiaéreo de curto alcance Tor-M1, de fabricação russa e conhecido na Otan pelo nome Gauntlet.

Se a informação se confirmar, consistirá em uma incrível e mórbida coincidência: em 2014, um Boeing 777-200 ER da Malaysia Airlines que fazia o percurso Amsterdã-Kuala Lumpur foi abatido no espaço aéreo da Ucrânia por um míssil antiaéreo russo, causando a morte de 298 pessoas. O sistema antiaéreo utilizado foi o Buk-M1, de médio alcance.

Em junho do ano passado, três cidadãos russos e um ucraniano foram acusados de serem os culpados pelo disparo contra o voo MH17. O indiciamento foi feito por um grupo de investigação liderado por procuradores holandeses. O julgamento do caso está marcado para março deste ano, na Holanda.

Os cidadãos russos citados no caso são ex-militares com altos cargos no território controlado por rebeldes apoiados pelo Kremlin leste ucraniano. O governo de Vladimir Putin, porém, nega que eles sejam culpados e que o avião tenha sido derrubado por armamentos russos.

A maior diferença entre os dois casos é que os holandeses suspeitam que a derrubada do MH17 foi proposital, enquanto a hipótese com que até os militares americanos trabalham é que o suposto disparo contra o PS752 tenha ocorrido por engano.

Leia mais:

Como seria uma guerra entre EUA e Irã

O que acontece se as tropas americanas deixarem o Iraque

Soleimani, a morte de Nisman e o constrangimento de Cristina Kirchner

Se Obama fosse presidente, seria criticado por morte de general iraniano?

Por que a esquerda defende o Irã, que enforca gays e oprime mulheres

Para aiatolás do Irã, quanto mais mortes, melhor

Siga-me no Twitter (@DiogoSchelp) e no Facebook (@ds.diogoschelp)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros “Correspondente de Guerra” (Editora Contexto, com André Liohn) e “No Teto do Mundo” (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Sobre o Blog

“O que mantém a humanidade viva?”, perguntava-se o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Essa é a pergunta que motiva esse blog a desembaraçar o noticiário internacional – e o nacional, também, quando for pertinente – e a lançar luz sobre fatos e conexões que não receberam a atenção devida. Esse é um blog que quer surpreender, escrito por alguém que gosta de ser surpreendido.